
Meu nome é Gabrieli Meneghelli Trigone, nasci em 08 de novembro de 1999 e passei grande parte da minha infância em Caçapava, interior de São Paulo, onde aprendi, desde cedo, a prestar atenção na natureza, nas pessoas, na luz do dia e no som das coisas.
Eu sempre fiz arte. Todos nós aprendemos desde cedo a lidar com lápis e tinta, mas demorou um tempo até que eu encontrasse o meu propósito nisso. Eu não acredito que somos a nossa profissão, mas posso dizer que sempre escolhi trabalhar com algo que me despertasse amor. Aos 18 anos, comecei a trabalhar profissionalmente na cozinha, uma das grandes paixões da minha vida.
Depois de seis anos assistindo minha paixão se esvair na rotina exaustiva de uma cozinha, decidi encerrar essa fase e realizar um grande sonho: eu, uma mochila com minhas coisas e uma passagem de avião nas mãos.
Mas o destino tem suas próprias maneiras de conduzir as coisas. De fato, iniciei meu sonho e fui para a Chapada Diamantina começar meu mochilão. Lá, fazia trocas de trabalho por hospedagem e garantia minha renda vendendo licor nas ruas e em feiras. Sempre que sobrava tempo, recorria ao que sempre me acalmou: eu pintava.
Dois meses depois, recebi uma ligação da minha família com a notícia que mudaria minha vida, meu pai havia falecido. Eu perdi o chão.
Voltei para São Paulo e decidi ficar. Precisava vivenciar o luto ao lado da minha família e reaprender a viver. Para me sustentar, voltei a trabalhar na cozinha de uma colega, mas me sentia triste todos os dias. Sempre carreguei o sentimento de que tinha muito a dizer, mas não sabia por onde começar, nem como. Vivi o luto pelo meu pai e, ao mesmo tempo, o luto por mim mesma.
Uma lembrança daquele ano nunca saiu da minha cabeça: uma das últimas vezes que vi meu pai foi quando ele apareceu de surpresa na minha casa trazendo uma caixa de materiais de arte de presente. Eram os mesmos materiais que eu ainda usava para produzir e tentar distrair minha mente de tudo o que estava acontecendo.
Um ano depois, decidi retomar meu mochilão, dessa vez, começando em outro país. O Uruguai foi meu primeiro destino de uma jornada que durou dez meses pela estrada. Visitei quatro países, fiz seis travessias de fronteira a pé, vivi aventuras que nunca imaginei e aprendi a viver de novo, a me amar e a amar a vida.
Meu último destino incluiu uma vivência artística, e foi ali que encontrei meu propósito na arte. Ela me ensinou a olhar a vida com ternura e a dar espaço e voz aos meus sonhos, à minha criatividade e à minha existência.
Hoje, eu honro essa escolha todos os dias por meio da arte, seja na tatuagem, nas telas, nos desenhos, na escrita ou na dança, porque foi esse caminho que me honrou e me curou.
